Ergonomia no Trabalho: por que adaptar o trabalho às pessoas

Segundo Mário Sobral, no artigo “Ergonomista aos oito anos”, a Ergonomia começa quando percebemos que não deveriam ser as pessoas a se adaptar ao trabalho.
Bancadas altas, movimentos repetitivos e posições inadequadas podem parecer parte normal da rotina, mas revelam falhas na forma como o trabalho foi planejado. O problema surge quando máquinas, ferramentas e processos têm lugar definido, enquanto o trabalhador precisa simplesmente se ajeitar.
A Ergonomia propõe justamente o contrário: compreender as pessoas e adaptar as condições de trabalho às suas necessidades. Pequenas mudanças no projeto podem gerar mais conforto, segurança e eficiência.

Ergonomista aos oito anos

Por: Mário Sobral

Quando eu tinha oito anos, a escola levou nossa turma para conhecer uma fábrica. A professora disse que íamos ver várias máquinas trabalhando.

Mas acabei prestando mais atenção nas pessoas.

Um homem trabalhava diante de uma bancada fazendo sempre o mesmo movimento. Pegava uma peça, encaixava, apertava e soltava. Pegava outra, encaixava, apertava e soltava.

Fiquei esperando a hora em que ele faria alguma coisa diferente.

Não fez.

Explicaram que ele trabalhava assim havia bastante tempo e que já estava acostumado.

Achei curioso.

Mais adiante, uma mulher trabalhava com os braços levantados porque a bancada era alta.

Depois vimos um homem que precisava se inclinar toda vez que buscava peças numa caixa.

Comecei a perceber uma coisa estranha.

Na fábrica, as máquinas tinham lugar certo. As ferramentas tinham lugar certo. As caixas tinham lugar certo. Mas as pessoas precisavam se ajeitar.

Aquela lógica me pareceu estranha. Parecia que primeiro organizavam o trabalho e depois tentavam descobrir como colocar um ser humano dentro dele.

Perguntei por que não abaixavam a bancada, disseram que o projeto era da Engenharia.

Passei a imaginar a Engenharia como uma espécie de adulto muito importante, escondido em alguma sala, cercado de réguas e desenhos, decidindo a altura das coisas.

Continuei a visita procurando por ela.

Não encontrei.

Anos depois descobri que existe uma profissão para quem continua olhando para o trabalho daquele jeito. Chama-se Ergonomia.

Talvez eu tenha virado ergonomista naquele dia.

Só não sabia ainda. 

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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