Em conversa com a RSData, o Dr. João Opitz Neto fala sobre as mudanças na profissão e a importância da gestão para a saúde dos trabalhadores.
Neste 4 de outubro, Dia do Médico do Trabalho, a RSData homenageia os profissionais que dedicam seu conhecimento à proteção da saúde e da vida dos trabalhadores. Ao acompanhar pessoas e orientar as empresas, esses profissionais ajudam a transformar o cuidado com a saúde em uma prática de gestão, com benefícios para quem trabalha e para toda a organização.
Para marcar essa data, conversamos com o Dr. João Opitz Neto, que escolheu a medicina do trabalho logo depois de se formar. Sua escolha reflete uma mudança que também observa na profissão: a especialidade passou a ser vista de outra forma, e hoje as empresas esperam do médico do trabalho uma atuação mais ampla.
Em nossa conversa, o Dr. João lembra que a medicina do trabalho foi vista por muitos profissionais como uma segunda especialidade, e que a atuação nas empresas frequentemente se concentrava na emissão de Atestados de Saúde Ocupacional, os ASOs, e nos atendimentos assistenciais. Hoje, destaca a necessidade de ir além, acompanhando a saúde dos trabalhadores e contribuindo para sua gestão.
“O que se exige de um médico do trabalho é que ele tenha capacidade de gestão.”
Essa atuação envolve conhecer as exigências da NR-7, conversar com diferentes setores, acompanhar a utilização dos planos de saúde e trabalhar para reduzir o absenteísmo e os custos. O objetivo é fazer, efetivamente, a gestão da saúde dos trabalhadores.
Entre os desafios atuais, o Dr. João destaca as questões ergonômicas, por causa das doenças osteomusculares, e a crescente preocupação com as doenças mentais, que estão, em sua avaliação, entre as principais causas de afastamento em muitas empresas.
Muita gente separa os fatores psicossociais da ergonomia, mas, para o Dr. João, o fator psicossocial é um tipo de risco ergonômico, ligado à ergonomia organizacional: à maneira como o trabalho se organiza e como as atividades são distribuídas. Por isso, acompanhar esse cenário pede uma visão ampla.
A tecnologia acompanha essa transformação. Ao recordar os cálculos de absenteísmo e de outros indicadores feitos na mão, com calculadora e planilha, o Dr. João aponta como as ferramentas de inteligência artificial podem apoiar esses cálculos e análises.
Em sua avaliação, a inteligência artificial não substituirá o médico do trabalho: é uma ferramenta auxiliar, que permite atuar de forma mais clara e objetiva, em menos tempo.
Ao mencionar a RSData, o Dr. João ressalta a importância dos sistemas usados no dia a dia. Sem acesso aos números e às informações, não há como fazer gestão.
“O software que a empresa adota, que o médico do trabalho utiliza no seu dia a dia, faz total diferença.”
Quando perguntamos qual mensagem deixaria aos gestores, o Dr. João voltou a um ponto que atravessa toda a conversa:
“Saúde e segurança do trabalho não é custo, é investimento.”
É um investimento nas pessoas que fazem a empresa acontecer. Ao explicar essa visão, chama a atenção para os custos da falta de gestão da saúde e da segurança do trabalho, que podem envolver perda de produção, afastamentos e passivos trabalhistas, previdenciários e tributários. Por isso, defende uma visão de médio e longo prazo.
“Muitas vezes o barato sai caro”, alerta ao falar das contratações feitas apenas para cumprir a legislação. A escolha precisa considerar o suporte oferecido, a eficiência do serviço e a capacidade de apresentar indicadores que mostrem o que acontece com a saúde dos trabalhadores.
Em sua avaliação, escolher apenas pelo menor preço pode parecer uma economia no início. Mas, se o serviço não oferecer o suporte e os resultados de que a empresa precisa, essa escolha pode trazer custos maiores no futuro.
Neste Dia do Médico do Trabalho, a conversa com o Dr. João nos lembra que cuidar de quem trabalha também depende de dar espaço a quem cuida.
A RSData agradece ao Dr. João Opitz Neto por compartilhar sua visão e estende a homenagem a todos os médicos do trabalho, pelo preparo, pela responsabilidade e pela dedicação à saúde dos trabalhadores.
Uma dedicação que merece reconhecimento hoje e todos os dias.


