Devemos recomendar o uso de cintas ergonômicas?

Mario Sobral aborda a dor lombar, um dos principais distúrbios musculoesqueléticos que afetam 84% da população, destacando suas causas e o impacto significativo no ambiente de trabalho. O artigo questiona a eficácia das cintas ergonômicas como solução para o problema, analisando suas limitações e potenciais riscos à saúde. Apesar de sua popularidade, Sobral recomenda cautela no uso das cintas, sugerindo que devem ser utilizadas somente com prescrição médica e acompanhamento profissional, devido aos efeitos adversos documentados e à falta de aprovação como Equipamento de Proteção Individual (EPI).

Dor lombar e cinta ergonômica

Entre os distúrbios musculoesqueléticos, a dor lombar é um dos principais problemas. Apesar de outras queixas, a lombar se destaca: 84% da população apresenta queixa de dor lombar, e entre 11% e 12% sofre de incapacidade decorrente desse problema. As consequências incluem absenteísmo no trabalho, perda de produtividade e prejuízos financeiros para as empresas.

As causas podem ser divididas em fatores individuais, como doenças prévias e sobrepeso; biomecânicos, como sobrecarga de peso e vibração de corpo inteiro; e psicossociais, incluindo depressão, estresse e outros fatores complementares. As cintas ergonômicas são frequentemente utilizadas para controlar dores lombares, mas surge a questão: elas realmente são uma solução? Antes de responder, vale considerar se a cinta é considerada um Equipamento de Proteção Individual (EPI). De acordo com a NR-6, item 6.2, o EPI só pode ser utilizado com Certificado de Aprovação (CA). Como as cintas não possuem CA, elas não são classificadas como EPIs.

E como as cintas ergonômicas atuam?

Elas aumentam a pressão intra-abdominal, empurrando o diafragma para cima e reduzindo a contração dos músculos da coluna. Também podem causar redução da força muscular, especialmente em cintas rígidas e largas. Além disso, diminuem a amplitude de movimento da coluna, o que pode gerar compensações em outras áreas do corpo, resultando em problemas adicionais. No entanto, a eficácia das cintas ergonômicas é questionável. A maioria dos estudos científicos apresenta resultados não conclusivos, e existem diversos efeitos adversos associados ao seu uso. Entre eles, destacam-se desconforto térmico, problemas dermatológicos devido à umidade e pressão constante; diminuição do tônus muscular; aumento da pressão arterial e do ritmo cardíaco; falsa sensação de segurança, que pode levar o trabalhador a negligenciar posturas adequadas; e distúrbios gastrointestinais, particularmente após as refeições.

Por esses motivos, não recomendo o uso generalizado de cintas. Elas devem ser utilizadas com prescrição médica e acompanhamento do setor de saúde. Para mais informações, gravei no canal do youtube do @nestorwneto Cinta Ergonômica – devo ou não recomendar? (com referências)

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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