Desvendando a Ergonomia (NR17): Absurdos e Equívocos na Aplicação Prática – Uma Análise Detalhada

A Ergonomia é um campo essencial e em constante evolução no âmbito das condições de trabalho, visando o bem-estar físico e mental dos trabalhadores. A Norma Regulamentadora 17 (NR17) estabelece diretrizes fundamentais para a adaptação das condições laborais às características individuais do ser humano, buscando prevenir lesões e promover um ambiente laboral saudável e produtivo. Neste contexto, destacam-se questões intrigantes e desafios práticos presentes na aplicação da NR17, revelando complexidades e até mesmo equívocos que demandam atenção e reflexão para garantir sua efetividade. Este texto de Marcos André explora algumas dessas peculiaridades e contradições encontradas no cenário da ergonomia, oferecendo uma análise crítica e reflexiva sobre aspectos relevantes dessa norma e sua aplicabilidade no ambiente de trabalho contemporâneo.

ERGONOMIA (NR17): CURIOSIDADES E ABSURDOS QUE NÃO PERMITE APLICAÇÃO PRÁTICA

A atual NR17 – Ergonomia aponta em seu texto treze citações sobre Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), que precede a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Determina o que deve ser realizado para cumprimento da exigência legal e dá algumas orientações básicas. 

Curiosidade importante: AEP e AET são distintas. A Avaliação vem antes da Análise. A AEP, no entanto, dispensa o especialista, embora Ergonomia seja uma ciência nova e não tenha curso de formação de Ergonomista, remetendo em nível de pós-graduação para qualquer área do conhecimento, o que gera um complicador, sob meu ponto de vista, pois, forma Ergonomista para suprir uma lacuna, mas não supre porque generaliza ao extremo.

Outro ponto que chama a atenção são os atropelos aos termos.  A Avaliação e Análise são chamadas de Laudo Ergonômico. Uma deturpação absurda, pois, laudo é para algo conclusivo e não há referência alguma na NR17.

A décima sétima Norma prevê a possibilidade de contemplar as exigências através da NR1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, podendo contemplar através do levantamento dos perigos e riscos de modo produzir informações para o planejamento das medidas de prevenção necessárias, incluindo orientações sobre os métodos de abordagem.

Determina a obrigatoriedade de ser registrada pela Organização, mas não define a forma. Além disso faz referência aos resultados que devem integrar o Inventário de Riscos (NR1). Ou seja, mesmo concatenando duas Normas Regulamentadoras não define ao certo para nenhuma delas.

Um dos pontos favoráveis é a determinação que os trabalhadores sejam ouvidos durante a elaboração da AEP e/ou da AET. Considerando que a Avaliação ou Análise necessitam de observação do processo de trabalho, estudo e aplicação de metodologias (na Análise) quando a Avaliação apontar demanda para tal. Porém, apenas letra morta poque não há elaboração adequada, salvo exceções.

Quanto ao item que determina a introdução de pausas durante a jornada de trabalho, um erro que impede que a parte Organizacional resolva os problemas que geram os esforços considerados excessivos. Comprime a jornada de trabalho de trabalho sem diminuir o volume de trabalho, além de permitir o acúmulo e obrigar o trabalhador acelerar mais o que já estava acelerado.

Enfim, se ainda há falha grosseira da parte de quem fiscaliza ao solicitar a elaboração de “Laudo Ergonômico” em detrimento à AEP e AET, conforme contido na NR17, imagine a prática de quem tenta elaborar… Piora a cada dia mais e parece que SST é uma área que vai demorar muitos anos para ser levada a sério e tratada como ciência de fato.

Categoria

Últimas Postagens

Siga a RSData

Inscreva-se em nossa Newsletter:

Pular para o conteúdo