O DISTANCIAMENTO DA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO DAS PARTES ENVOLVIDAS – PARADOXO

O maior recurso de qualquer empresa é seu capital humano. Paradoxalmente, a área responsável pela segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores frequentemente enfrenta desmotivação, distanciamento e desvalorização. Este artigo explora esse paradoxo, destacando como a segurança e saúde no trabalho (SST), apesar de ser essencial, muitas vezes é negligenciada tanto pelas organizações quanto pelos profissionais do setor.

Apesar de um conjunto robusto de normas e regulamentações, o Brasil ainda ocupa uma posição alarmante em termos de segurança no trabalho, gastando cerca de 4% do PIB com acidentes laborais. A desvalorização dos profissionais de SST, muitas vezes vistos como custos desnecessários ou agentes punitivos, contribui para essa realidade.

O artigo de Pedro Pereira também discute a necessidade de uma abordagem mais humana e colaborativa na SST, enfatizando a importância da escuta ativa, do reconhecimento das habilidades dos trabalhadores e da liderança empática. Reduzir o distanciamento entre o previsto e o realizado em SST requer mudanças culturais e estruturais, incluindo uma governança corporativa que valorize verdadeiramente a saúde e segurança dos trabalhadores.

Desmotivação dos Profissionais de SST no Brasil

O maior ativo do ambiente de negócios é o seu capital humano/ pessoas. A área que cuida da segurança, saúde e bem-estar de quem produz, paradoxalmente, é desmotivada, distanciada e sofre com consequente desvalorização. E, isto é paradoxal!

O paradoxo é uma figura de linguagem que remete a aproximação de palavras contrárias que expressam ideias contraditórias. Opinião contrária à comum. Situação ou afirmação que contém uma contradição ou uma falta de lógica.  Afirmação ou ideia que contraria a razão ou o senso comum, uma asneira, desconchavo, disparate.

Paradoxo em 3 exemplos:

É uma declaração aparentemente verdadeira, mas que leva a uma contradição lógica ou que contradiz a intuição comum. Alguns exemplos de paradoxo como figura de linguagem são: “O nada é tudo”, “Eu estou cheio de me sentir vazio”, “O silêncio é o melhor discurso”.

Ter Saúde não é apenas a ausência de doenças. Ter saúde é o completo estado de bem-estar físico, mental, social e espiritual do indivíduo com relação ao meio. É muito mais que um desejo ou aspiração. É uma necessidade. É no ambiente de trabalho que passamos a maior parte do dia atuando e vivendo os melhores dias de nossas vidas. Ele tem que ser “Saudável e Seguro”.

A Pirâmide de A. H. Maslow já registrou de forma evidente, esta necessidade do indivíduo. Pirâmide de Maslow, também conhecida como Teoria das Necessidades Humanas, organiza de formas hierárquicas as necessidades humanas.

Na base da pirâmide estão as necessidades mais urgentes, relacionadas às nossas necessidades fisiológicas. Já no topo, estão as realizações pessoais. Portanto, ninguém chega à realização, à sustentabilidade sem tê-las atendidas – as necessidades básicas de Segurança, de Saúde, de Proteção.

Temos o conjunto de regras, normas de segurança e legislação entre as mais completas e perfeitas do mundo e, paradoxalmente somos o 4º pior país do mundo em indicadores de SST. Temos um exército de “profissionais de SST e pseudos” atuando no território nacional; e gastamos, segundo estimativa da OIT, 4% do PIB anualmente com o infortúnio Laboral. “Especialistas” em SST brotam feito “inço” por todos os quadrantes do território feito “pandemia”; com raras exceções, sem o reconhecimento das partes envolvidas (Trabalhadores, Empregadores, Governo, Sociedade).

Profissionais de SST e consultorias, trabalham forte por reconhecimento e valorização; salvo exceções, entregam muito pouco, de forma precária e pouco eficaz, com preço, mas sem valor para a sociedade de trabalho.

Sabemos que em qualquer atividade humana há risco; paradoxalmente grande parte não percebe. Quem não reconhece não mede; quem não mede, não gerencia.

Portanto, em primeiro lugar devemos gerar “Segurança e Saúde no ambiente de negócios, preservando a vida humana, tanto dos funcionários quanto dos visitantes. Chamá-lo de “colaborador” é engodo, cilada; não sustenta, não garante suas necessidades básicas de proteção, prevenção, segurança e saúde no trabalho”

Entendemos e aceitamos que se trata de uma obrigação compartilhada entre as partes envolvidas; mas é da Organização empregadora a obrigação estrita de cumprir e fazer cumprir as leis e regulamentações relacionadas à Saúde, Segurança e Meio Ambiente, com Governança corporativa responsável e sustentável, temas de relevância em todas as operações.

Qualquer conduta que viole estes requerimentos é desfavorável para os interesses do ambiente de ´de negócios, sua prosperidade e sustentabilidade e, portanto, contrária ao propósito de sua própria existência.

O maior ativo de uma Organização são as pessoas – o capital humano.

“NENHUMA ATIVIDADE ECONÔMICA SE JUSTIFICA SE ELA DEIXAR ATENDER AS NECESSIDADES SOCIAIS BÁSICAS DE DIREITO À SAÚDE, À SEGURANÇA E À VIDA DE QUEM PRODUZ”

Após décadas de atuação e observância, percebemos que a deficiência formação, capacitação e preparo dos profissionais de SST despejados no mercado, aliados a outros fatores culturais e propósitos diversos das necessidades básicas daqueles que a riqueza produz, a ganância desenfreada e a falta de práticas ambientais, sociais e de governança corporativa responsável, tem provocado não apenas desastres climáticos/ambientais e sociais, mas comprometendo de forma preocupante a propalada prosperidade e sustentabilidade do ambiente de negócios.

Os desastres climáticos causados pelo aquecimento global, o adoecimento, mutilações e mortes pelo exercício de um trabalho mal planejado e executado, apesar de farta legislações, regras e requisitos pertinentes é apenas o reflexo do distanciamento da SST do universo real a que se propunha a servir. Como ser valorizado se a entrega, a contribuição deixa de gerar benefícios as partes envolvidas. Porque está distante das aspirações, desejos e necessidades do ambiente de negócios e para as partes envolvidas (Trabalhador – Empregador – Governo – Sociedade). Olha que a ISO 45001 Já alertava sobre isso!!!

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O Paradoxo e o Distanciamento

O paradoxo, pode ser definido como argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento e ações humanas.

A SST tem como senso comum trabalhar, servir todas as partes envolvidas. Gerar benefícios para o trabalhador, para o Empregador, para o Governo, para a Sociedade inovando e ordenando o pensamento estratégico em seus desdobramentos no planejamento e ações estratégicas para o bem comum.

Agora, como Você é realmente percebido pelas partes envolvidas? O que de fato, real, tangível você entrega através de seu trabalho, de seus esforços como contribuição ao processo produtivo?

Ou Você, seu trabalho, sua produção são apenas percebidos como custo desnecessário. Algo ruim, que atrapalha, pelo seu tom de vigilância, punitivo, policialesco, aplicando procedimentos, padrões sabe se lá de onde, sem a participação, ou a contribuição do trabalhador?

Estabelecido este comportamento e percebido pelo trabalhador como inimigo. Vai sabotar seu objetivo. A participação, a oitiva do trabalhador é requisito legal NR 1 e cláusula 5 da ISO 45001! Ai sim, temos um verdadeiro paradoxo entre o previsto e o realizado = ineficácia.

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A Segurança e Saúde no Trabalho ao longo das décadas, com teorismos, academicismos exacerbados e protocolar desenvolveu padrões com base na cultura e evolução internacional. Esqueceu-se de escutar mais, aqueles que realmente são elementos chave- o trabalhador. Sem saber exercer a “escuta ativa”, perdeu riquíssimas oportunidades de evolução. O compromisso é COM AS PESSOAS; PESSOAS GERAM RESULTADOS!

Este comportamento típico tem sido discutido e algumas mudanças, ainda isoladas, já são tangíveis no campo da SST. Todavia, o distanciamento da SST da realidade operacional é vício de origem, de formação, de cultura:

– Hipervalorizar procedimentos: distancia o trabalhador da SST. É preciso mais escuta ativa, valorar a inteligência pela prática, momento de incluir; não de excluir saberes, mesmo que diferentes dos nossos;

– Ausência de estímulos e apoio a participação efetiva do trabalhador: Ele é a gente e paciente de transformações. Tem domínio, expertise, saberes que ninguém acompanha e valora. Mudança de foco e ele estará comprometido com o propósito da SST;

– Toda a ideia, inovação é Importante: acolher, valorar. Pode não ser prioridade para o momento, mas não pode ser simplesmente desprezada, descartada. Aborrece e desestimula e busca de melhoria e o comprometimento com o propósito da prevenção;

– Atitude Policialesca, punitiva: O profissional de SST que atua com poder delegado e parte para a punição está isolado, fracassado. O diálogo, a escuta, a transparência e o senso de justiça na condução e encaminhamento de soluções é imperioso na conquista do respeito. Seja um Líder que todos desejam seguir pelo exemplo. Chefe é coisa do passado. Comportamento desta natureza não reflete confiança. Não terá apoio dos liderados e sim o boicote;

– Dono da Verdade: O Verdadeiro Líder escuta, sem interrupção ou arrogância. Entende e aceita que não é o dono da verdade e o único com capacidade de pensar. Valoriza e acolhe a opinião e participação alheia fundamentada focadas para o propósito coletivo de defesa; nunca a estratégia individual.

Um comportamento servidor, participativo, colaborativo pode gerar melhores resultados, tangíveis e perceptíveis agregando, incluindo todos para o propósito – o compromisso ESG da Governança corporativa.

Reduzir este distanciamento entre o previsto e o realizado em SST, passa pelo fortalecimento de laços com as Lideranças, Gestão, participação efetiva do trabalhador, honestidade e transparência, consolidados pelo código de conduta corporativa onde todos devam estar, obrigatoriamente alinhados.

Em resumo, falta capacidade de liderança e gestores de SST capacitados, atualizados e comprometidos com o resultado, independentemente de métodos, técnicas & práticas aplicáveis. O que é bom e funciona bem aqui, talvez não garanta bom resultado lá. Descarte-se o modelito pronto da Geração Cc (Cópia & Cola):

– Escuta ativa: escutar atentamente, sem interrupções ou sobrepor opiniões pela sua experiência ou vivência.  Ser honesto, a solução é construída na caminhada; não nasce pronta. O compromisso é caminhar junto, facilitar, abrir portas, promover soluções inovadoras;

– Liderar o processo: Comunicação simples, soluções simplificadas. Exemplos, case de sucesso, visitas de comparação, protótipos, modelos adaptados. PDCA, por exemplo;

– Relações Humanizadas: Necessidade de acolhimento, sentimento de pertencimento. Conduzir com empatia e sinceridade aproxima pessoas, gera valor, bem-estar, confiança.

“Não te entregamos verdades; mostramos caminhos”. Neste paradoxo e distanciamento da SST do meio produtivo com consequente desvalorização, espero que tenhas uma boa leitura e reflexão.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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