Desempenho em SST: como sair do PGR de gaveta e melhorar de verdade

Pedro Pereira, no artigo “A organização deve adotar as medidas necessárias para avaliar e melhorar o desempenho em SST”, reforça que a gestão de Segurança e Saúde do Trabalho não pode ser estática.
A NR-01 exige avaliação, acompanhamento e melhoria contínua das ações de prevenção.
O desafio das empresas é transformar o PGR em uma ferramenta viva, com indicadores, auditorias, investigação de incidentes e planos de ação bem estruturados. Mais do que cumprir norma, melhorar o desempenho em SST é proteger pessoas, reduzir falhas e fortalecer a gestão.

A organização deve adotar as medidas necessárias para avaliar e melhorar o desempenho em SST

Por: Pedro Pereira

Como em todas as ciências, a Segurança e Saúde do Trabalho é um valor intrínseco à prosperidade e à sustentabilidade de qualquer ambiente de negócios. Como tal ela precisa evoluir, se desenvolver a partir de seu próprio embrião –  foco em resultados, evolução e melhoria contínua.

O processo de desenvolvimento exige a cada dia mais dos profissionais legitimados em SST e Organizações. Não obstante, em 2020  a Portaria 6.730 (https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/2020/portaria_seprt_6-730_-altera_a_nr_01.pdf/view),  “determina” os novos rumos da história>

NR 1.5.3.4 A organização deve adotar as medidas necessárias para avaliar e melhorar o desempenho em SST.

Um dos requisitos para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais do Capítulo 1.5 da NR-01 estabelece uma diretriz fundamental para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO): a melhoria contínua.

Em termos práticos, isso significa que a gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) não deve ser estática (como apenas emitir um documento e engavetá-lo). A organização é obrigada a:

Avaliar: Monitorar regularmente se as medidas de prevenção adotadas no Plano de Ação do PGR estão realmente sendo executadas e se são eficazes. Estratégias, Indicadores, métodos, métricas e práticas…

Melhorar: Utilizar os resultados dessa monitoração, além de dados de inspeções, análises de acidentes ou sugestões dos trabalhadores, para corrigir eventuais falhas e aprimorar o desempenho geral de segurança e saúde do da Organização.

Para atender ao subitem 1.5.3.4 (avaliar e melhorar o desempenho em SST) dentro do que a própria NR-01 e as boas práticas de gestão recomendam, é possível dividir as ferramentas em duas etapas essenciais: Avaliação e Melhoria.

Ferramentas para AVALIAR o Desempenho

Antes de melhorar, é preciso medir. Estas ferramentas servem para auditar e monitorar a eficácia das ações:

  • Indicadores de Desempenho (KPIs de SST):
  • Indicadores Reativos (de resultado): Taxa de frequência de acidentes, taxa de gravidade, dias perdidos e número de queixas médicas, relatório analítico do PCMSO NR 7, outros.
  • Indicadores Proativos (de esforço): Percentual de ações do PGR concluídas no prazo, horas de treinamento realizadas, nº de atendimentos em cada capacitação e número de quase-acidentes relatados, entre outros.
  • Auditorias Internas e Inspeções Planejadas: Checklists periódicos (mensais ou trimestrais) para verificar se os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) estão funcionando e se os procedimentos de segurança estão sendo seguidos na prática.
  • Investigação e Análise de Incidentes: Ferramentas como os 5 Porquês ou o Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe) aplicadas a quase-acidentes ou acidentes, permitindo entender as falhas nas barreiras de segurança atuais.
  • Pesquisas de Clima de Segurança e Percepção de Risco: Questionários aplicados aos trabalhadores (em conformidade com o subitem 1.5.3.3 de consulta aos funcionários) para avaliar como eles enxergam a cultura de segurança da empresa.

Ferramentas para MELHORAR o Desempenho

Uma vez identificados os gargalos ou desvios, utilizam-se metodologias de solução de problemas e melhoria contínua:

  • Ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act): É a engrenagem principal por trás do PGR.
  • Plan (Planejar): Inventário de Riscos e Plano de Ação.
  • Do (Fazer): Executar as medidas de prevenção.
  • Check (Verificar): Avaliar o desempenho (usando as ferramentas do item 1).
  • Act (Agir): Corrigir desvios e adotar novas medidas de proteção.
  • Plano de Ação 5W2H: Fundamental para estruturar o plano exigido pelo PGR de forma clara e auditável:
  • What (O que será feito?), Why (Por que será feito?), Where (Onde?), When (Quando/Cronograma?), Who (Quem é o responsável?), How (Como será feito?) e How much (Quanto custará?).
  • Matriz de Priorização (Matriz GUT): Utilizada para classificar as ações de melhoria com base na Gravidade, Urgência e Tendência, ajudando a focar os recursos nos problemas mais críticos primeiro.

💡 Dica de Integração: Softwares de gestão de SST (Sistemas de Gestão Integrados – SGI) de qualidade comprovada ou até mesmo painéis de Business Intelligence (como Power BI) auxiliam a centralizar essas ferramentas, facilitando o cumprimento legal desse item de forma automatizada.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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