Adilson Monteiro, no artigo “Cultura de Segurança uma cabeça de bacalhau”, provoca: assim como a “cabeça de bacalhau”, muita gente fala de cultura de segurança, mas quase ninguém vê na prática.
O problema é que o termo ganhou várias definições, sem algo claro o bastante para orientar decisões do dia a dia.
Na rotina, isso vira atalho: joga o peso no comportamento do trabalhador, alivia a responsabilidade da liderança e separa prevenção do processo de negócio.
O valor está na virada de chave: segurança não como “cultura à parte”, mas como organização integrada, com responsabilidade compartilhada e SST dentro do processo.
Cultura de Segurança uma cabeça de bacalhau
Por: Adilson Monteiro
A expressão “cabeça de bacalhau ninguém vê” (ou “ninguém sabe”) origina-se como o bacalhau é vendido, de forma geral, sem a cabeça e assim, criou a imagem popular de que é algo que não existe ou nunca foi visto, simbolizando algo raro.
Na verdade o Bacalhau que conhecemos não é um único peixe, mas sim a denominação dada a diversas espécies de peixes gadídeos (peixes marinhos de águas frias e profundas). E, desta forma, pode-se traçar um paralelo sobre o termo “Cultura de Segurança” e suas várias definições, tais como:
– “Cultura para a Segurança” é um conceito que descreve a prioridade e o valor que os membros de uma organização atribuem à segurança em sua cultura geral.” – IAEA
– “A cultura de segurança é um conjunto de maneiras de agir e pensar que é amplamente compartilhada pelos funcionários de uma organização no contexto da gestão dos riscos mais significativos associados às suas atividades.” – ICSI
– “A cultura de segurança é o ambiente onde as atitudes, comportamentos e percepções de todos os trabalhadores se refletem na saúde e segurança do local de trabalho.” – OSHA
– “Cultura de Segurança refere-se ao conjunto de valores, atitudes e práticas compartilhadas em uma organização para priorizar a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.” – MTE
Da mesma forma de diversas “cabeças de bacalhau” existem, conceitos sobre a “Cultura de Segurança” também, nada de forma definitiva ou estruturada para que as pessoas possam identificá-la.
Isso traz vários problemas sobre a sua efetivação no mundo real tais como :
– Indica prioridades que podem mudar dependendo do contexto, especialmente o econômico no Negócio;
– Carrega o peso para os trabalhadores(as) nas suas práticas e atitudes , não equilibrando com a devida responsabilidade da liderança;
– Nasceu, em sua origem como termo , em condições de reatividade e foco no comportamento como soluções para a prevenção;
– Cria uma separação da prevenção em relação ao processo organizacional;
Portanto a “Cultura de Segurança” amplamente divulgada, não passa de um produto de marketing para consultorias e publicações que falam de uma “cabeça”, de uma estrutura para a prevenção, mas ninguém consegue vê-la na prática.
Da mesma forma que não temos culturas de RH, Manutenção, Operação, Finanças etc, não temos para a Segurança, sendo esta, como as outras, fruto de uma organização integrada a favor das pessoas e do Negócio, compartilhando responsabilidades e valorização. Portanto, os profissionais da Segurança, para a efetividade na prevenção, devem buscar a integração da área ao Negócio, entendendo-o e aplicando a melhor técnica para que a Segurança e Saúde sejam parte do processo e não uma obrigação à parte, como uma burocracia ou somente regramento.

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