Como Cultivar a Excelência na Segurança e Saúde do Trabalho?

No artigo de Pedro Pereira, a excelência na Segurança e Saúde do Trabalho (SST) é discutida como um processo contínuo e vital. O autor desafia a noção convencional de excelência como um objetivo final e a apresenta como um hábito a ser cultivado diariamente. Utilizando insights profundos, Pereira explora como a excelência está intrinsecamente ligada às atividades cotidianas, convidando os leitores a refletirem sobre o que iniciar, parar e aprender para alcançar padrões elevados na gestão de riscos ocupacionais. Ele ressalta que a excelência é mais do que um conceito; é um desejo incansável de melhoria, não só para o indivíduo, mas para todo o ambiente de trabalho. Este texto não apenas esclarece, mas também orienta, oferecendo um guia claro para transformar a excelência em um estilo de vida na esfera laboral.

EXCELÊNCIA, UMA VIRTUDE PARA A SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO

“Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”. (Aristóteles)

Excelência é a característica do que é excelente, de elevadíssimo teor, primazia, qualidade ou perfeição que é uma busca incessante dentro de cada um de nós. Na expectativa desta evolução e melhoria contínua, em todas as atividades que desenvolvemos, gestos ou relações, transcendemos o próprio “eu”, na esperança de ser melhor, de fazer melhor, de entregar o nosso melhor.

No campo da SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO (SST), a excelência é muito mais que uma aspiração, desejo ou necessidade. É um valor de negócio. A sustentabilidade de qualquer Organização, necessariamente passa por este olhar, cedo ou tarde! No Brasil, normalmente muito tarde, por vezes, tarde demais.

Somos o que repetidamente fazemos. Segurança, portanto, não é um ato, mas uma prática sistêmica, um hábito”.

Trago esta citação de Aristóteles (que na verdade nem é dele) porque foi daí que a ideia surgiu. Hoje ultimo detalhas para outro Curso de Capacitação de Brigada de Emergência. Nestes eventos, percebemos claramente as razões da busca pela excelência de acordo com os preceitos de Aristóteles. Pesquisando um pouco sobre isso, chega-se a seguinte citação: “Nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito” (Will Durant)

Se você pesquisar no Google, vai encontrar essa frase, várias vezes, atribuída a Aristóteles. Entretanto, na verdade, ela foi escrita por um filósofo, historiador e escritor estadunidense chamado Will Durant. Ele a escreveu para resumir o pensamento de Aristóteles a respeito da excelência. E daí veio toda a confusão da citação. Mas, voltando ao tema do texto:

No artigo de hoje, pretendo refletir com você um pouco sobre essa frase. Falar sobre excelência e sobre como ela, se nós realmente estivermos na busca pela excelência, precisa ser foco de todo um propósito de vida. Na SST (Segurança e Saúde no Trabalho) o advento da NR 1 traz este propósito de nos elevar em padrões de qualidade nunca alcançados. Sobre o nível da régua; troca profissionais de turma.

Nós somos o que repetidamente fazemos

Ao escutar a palavra excelência, por vezes sentimos como se ela fosse uma entidade cósmica distante. Como se fosse intangível, intocável e complexa demais para ser alcançada que pouco estão familiarizados com a Gestão de Riscos Ocupacionais. Porém, voltando aos afazeres e atribuições da SST, todos os dias, nós executamos diversas atividades. Uma seguida da outra. Umas maiores, mais demoradas. Outras menores, pontuais e rápidas. Desta forma, por mais que fujamos (ou não), a repetição sempre nos alcança. E esse é o ponto chave: para Aristóteles, é no mundo terreno, entre nós, na simplicidade, que mora a excelência.

O nosso maior erro é achar que a excelência é algo a ser alcançado. Como uma montanha que precisamos escalar até o topo. Não é! A excelência é o mais constante dos processos, não tem fim. Na Gestão e no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, não há fim. O PDCA (Ciclo virtuoso de Deming), é um projeto de melhoria contínua, não tem fim, tem níveis de excelência a cada rodada. Por causa disso, essa palavra nos remete ao ato de trabalhar com o máximo de atenção naquilo que você está trabalhando. Fazer “o mais bem-feito possível”, desde a primeira vez (princípio da qualidade) aquela atividade rotineira.

Quando atingimos essa mentalidade, entendemos esse conceito, chegamos a segunda parte da frase:

A excelência, então, não é um ato, mas um hábito

Quando entendermos que a excelência em SST precisa ser parte do dia a dia, precisa ser praticada, começaremos a, dia a dia, promover melhorias no que fazemos. Portanto, buscar pela excelência é algo que precisa se tornar um hábito. Algo que procuramos fazer independentemente da ocasião, seja lavando os pratos em casa, interagindo com outras pessoas na fila do banco ou trabalhando nos processos.

Sim, entendemos e aceitamos que é muito difícil buscar excelência em todas as ocasiões. Requer comprometimento consigo mesmo, com os outros. Exige disciplina, persistência, entrega. Demanda empenho diário, pois nós só nos tornaremos excelentes enquanto repetidamente buscarmos excelência. O que significa que essa busca nunca acabará. Se você parar de buscar excelência, deixa de ser excelente, é uma relação de dupla dependência, quase de simbiose.

A busca pela excelência tem de ser uma jornada palpável

Eu sei, é difícil buscar excelência, e mais: nós vamos falhar repetidas vezes (tenho um currículo enorme de falhas). Qualquer descuido e a excelência volta a ser a entidade cósmica impraticável. Nesse sentido que devemos ativar a nossa atenção.

Da filosofia para o campo prático, real, tangível, mundo dos simples mortais podemos nos basear que a excelência passa por 3 perguntas que podemos nos fazer:

1 – O que eu preciso começar a fazer?

Se for uma tarefa, projeto, programa, plano ou processo, você provavelmente encontrará pontos que podem ser melhorados. Coisas que você pode começar a fazer para ter mais resultados. Se for algo que ainda não acontece, mas precisa acontecer, é ainda mais importante começar! O erro faz parte de toda a aprendizagem. Recomece, tantas quantas vezes for necessário.

2 – O que eu preciso parar de fazer?

Da mesma forma, conforme vivemos, adquirimos experiência (inclusive com as falhas). Se um processo, programa, plano, projeto ou tarefa não está rodando como deveria ou não está dando resultados, é preciso abandonar velhos hábitos e lançar-se ao novo (a Inovação – isso é estratégico!!!), buscando formas diferentes, nunca pensadas ou executadas para melhorar. Eu sei que isso parece óbvio, mas as vezes, a gente se prende aos próprios hábitos, vícios ou à rotina e simplesmente não percebe isso. Então o “pensamento” estratégico, precede a “ação” estratégica. É por ela que você chega a resultados nunca alcançados.

3 – O que eu preciso aprender a fazer?

Para pôr em prática as duas questões anteriores, será necessário enxergar o óbvio. O óbvio, às vezes, precisa ser dito, repetido. Aquilo que, por mais óbvio que seja, não conseguimos enxergar. Contudo, para fazer isso, nós mesmos precisamos evoluir, aprender mais e mais até que consigamos enxergar nossos próprios erros e falhas. E acredite, esse passo talvez seja o mais difícil e doloroso de todos. Aceitar que sou humano. Que não sou o dono da verdade. Aceitar, admitir que erro.

Dê um passo de cada vez!

Se você encontrar a resposta para pelo menos uma dessas questões, seja na vida pessoal ou no trabalho, sua busca pela excelência já tem o primeiro passo à mostra. E talvez seja um ótimo primeiro passo!

A excelência é resultado do desejo de ser melhor

A excelência vem de dentro para fora, assim como a consciência, ela é visceral, brota do âmago, do sangue, do desejo, da necessidade. Brota como uma vontade avassaladora de tornar o mundo melhor para si mesmo e para os outros. Então, não é possível ficar esperando a sua Organização melhorar os processos. Agir com excelência não depende de ninguém, de nada. É preciso fazer melhor no agora, do jeito que for, como for. Vai com medo mesmo. E isso vai puxar outra e outra melhoria.

Assim como tudo na vida, a excelência só será verdadeira se for um desejo intrínseco. Ninguém é capaz de desejar o que não conhece. Você é, por excelência, um indivíduo dotado de capacidade para gerar excelência. Um desejo que esteja tão arraigado na sua alma que ninguém possa tirá-lo de você. Um desejo tão forte, mas tão forte, que sai do pensamento para se materializar em ação. Ação transformadora para a sua Vida e de seus semelhantes. Você pode! Você consegue!

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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