Como a diversidade pode contribuir no ambiente de trabalho?

Cansado de programas de SST genéricos que não atendem às necessidades reais da sua equipe?

Neste artigo, Cosmo Palasio de Moraes Jr. desafia a visão tradicional de segurança e saúde no trabalho, propondo uma abordagem inovadora que leva em conta a diversidade.Descubra como:

  • Identificar perigos e avaliar riscos de forma mais precisa e completa.
  • Criar medidas de controle personalizadas para diferentes grupos de trabalhadores.
  • Construir um ambiente de trabalho mais seguro e inclusivo para todos.

Chega de soluções padronizadas que não funcionam! Leia este artigo e explore o potencial da diversidade para transformar a SST em sua empresa.

DIVERSIDADE E AVALIAÇÃO DE RISCOS

Antes de qualquer coisa que seja há necessidade de pensarmos em como encaramos e entendemos o que chamamos de segurança e saúde no trabalho. E esse é um exercício que não pode ser apenas individual – deve chegar até nossas equipes e grupos para que possamos aprimorar a compreensão coletiva sobre o que e para que fazemos.

Pode parecer bobagem refletir sobre isso em um tempo e mundo onde quase tudo que se faz em termos de segurança e saúde no trabalho está encaixado ou encaixotado dentro de modelos prontos boa parte das vezes importados e raramente submetidos a alguma espécie de adaptação a nossa realidade, Vemos muitas vezes pessoas seguindo e praticando modelos pouco ou nada apropriados a nossa realidade e tentando a qualquer custo obter resultados que simplesmente jamais serão alcançados.

Há na segurança e saúde no trabalho uma ampla necessidade de análises humanas e quase sempre de algumas adaptações (as vezes até mesmo entre áreas e setores dentro de um mesmo estabelecimento, quando não entre unidades diferentes da mesma organização).

Mas, começamos nosso texto mencionando a necessidade de revisão e alinhamento de conceitos e isso diz respeito a muitas coisas e talvez a mais especial delas é o olhar do profissional brasileiro em relação a SST construído a partir do entendimento da conformidade pura e simples e não da prática de gerenciamento mais completa. Como pensamos o que é SST certamente interfere fortemente em como a planejamos e até mesmo nas formas em que avaliamos os resultados de nosso trabalho. Assim, a forma como percebemos e entendemos o que e para que fazemos é essencial para que se faça da melhor forma.

Não há outra forma adequada de pensar em prevenção sem que se leve em conta que estamos lidando com vidas e saúdes humanas e que isso deve ser a premissa maior e acima de qualquer coisa que se pense ou tente fazer.

A vezes ouço por aí que se o SISTEMA PARA GERENCIAMENTO é padronizado não temos que inventar muito que é isso por exemplo que atrapalha a prevenção. De forma simples tentamos explicar que muitos carros são iguais, mas a forma de conduzi-los depende de muitos fatores relacionados ao condutor, tal como sistemas para gerenciamento mesmo sendo até certo ponto padronizados dependem essencialmente da visão dos gestores para serem conduzidos – ainda na analogia anterior – da melhor forma possível para determinado ambiente, terreno, com menos desgastes e otimização de recursos – entre outras coisas.

Hoje em dia falamos muito sobre diversidade. E tal como ocorre de quando em quando acabamos vivendo entre pessoas que repetem o que ouvem sem traduzir o sentido para seu entendimento e especialmente suas práticas e aqueles poucos que tentam transformar o modismo em práticas capazes de tornar as coisas melhores. Claro que isso não ocorre apenas dentro da segurança e saúde no trabalho, mas há de se levar em conta que quando ocorre em nossa área causa danos significativos.

Trabalhar com a diversidade é uma questão que precisa ser muito bem pensada dentro da SST e muito mais ainda em um Brasil onde a “padronização” dos programas voltados para SST é uma triste realidade que existiu nos tempos do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA e infelizmente sobrevive na atualidade nos péssimos Programas de Gerenciamento de Riscos – PGR. Realizar identificação de perigos e avaliação de riscos sem levar em conta a diversidade é algo que torna nossos programas pelo menos fracos em termos prevencionistas.

Quando realizamos a identificação do perigo precisamos na próxima etapa levarmos em conta a questão da diversidade para realizar uma avaliação de riscos adequada porque a realidade pode ou não nos indicar que nem todos trabalhadores que tem “contato” com aquele “perigo”, experimentarão os mesmos riscos e isso pode ou não ocorrer a existência de grupos (ou mesmo situações individuais) que podem dizer respeito por exemplo a idade, gênero, ser pessoa com deficiência, etc.

Um ponto importante a ser considerado e tratado também como diversidade diz respeito aos trabalhadores estrangeiros. O Brasil tradicionalmente acolhe pessoas de outros países e é bastante comum que essas pessoas se empreguem. O que não é comum é encontrar por exemplo instruções de segurança no idioma dessas pessoas mesmo que parte delas sejam contratadas para realizar trabalhos bastante perigosos.

É de suma importância entender que qualquer processo de avaliação de riscos deve levar em consideração que o processo de adaptação do trabalho a pessoa não se aplica apenas as questões da ergonomia.

É essencial e demonstra zelo adequado com vida e saúde pessoas pelo menos avaliar a exposição ao risco de forma mais adequada e completa incluindo a questão da diversidade conforme a realidade do seu local de trabalho. Exemplo claro da falta dessa preocupação são os postos de trabalho onde são utilizados determinados produtos químicos e que são partilhados por trabalhadores e trabalhadoras e que raramente encontramos a observação correta dos riscos para as trabalhadoras e o mesmo ocorre também em relação a trabalhadores mais idosos com os riscos ergonômicos.

Certo é que a realização da avaliação de riscos inclusiva (termo que adotamos) pode nos apresentar situações bastante importantes e que até então estavam ocultas dentro do modelo padronizado. A partir dela podemos trabalhar medidas de controle especificas tais como a aquisição de ferramentas mais adequadas a determinados grupos (que por exemplo exijam menor esforço) ou ainda – e isso é bastante interessante – nos levar a elaboração de documentos (tal como a Ordem de Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho) no idioma que possa ser de fato compreendida.

Enfim, a questão da diversidade precisa ser assimilada. Pensar SST que chegue de fato a todos com suas peculiaridades.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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