Pedro Pereira, no artigo “O CALOR”, alerta para um dos agentes nocivos mais perigosos no ambiente de trabalho.
O calor extremo impacta diretamente a saúde, reduz a capacidade física e mental e pode provocar desde desidratação até insolação.
Em muitas empresas, esse risco ainda é subestimado, mesmo quando os sinais já aparecem na rotina dos trabalhadores.
Entender os efeitos do calor, os grupos mais vulneráveis e as medidas de prevenção é essencial para proteger vidas e atender às exigências de SST.
Mais do que cumprir norma, prevenir a exposição ao calor é uma decisão de cuidado, responsabilidade e gestão eficiente.
O CALOR – poderoso agente nocivo e seus nefastos efeitos sobre a saúde do Trabalhador
Por: Pedro Pereira
O calor extremo tem efeitos significativos e potencialmente perigosos sobre o organismo humano, sobrecarregando os mecanismos naturais de regulação térmica do corpo. Quando a temperatura externa ultrapassa a capacidade de resfriamento do corpo, podem ocorrer diversos distúrbios, variando de desidratação e exaustão até insolação, que é uma emergência médica grave.
- Entenda os novos riscos: “Novas formas de trabalho e os impactos reais na saúde e segurança dos trabalhadores”
Quais são os seus principais efeitos e riscos sobre a saúde do trabalhador?
Aqui estão os principais efeitos e riscos:
Mecanismos de Adaptação (e quando falham)
Vasodilatação: O corpo dilata os vasos sanguíneos próximos à pele para liberar calor, o que pode causar inchaço (especialmente nos tornozelos) e queda de pressão arterial.
Sudorese (Suor): É o principal mecanismo de resfriamento. No entanto, se o ambiente estiver muito úmido, o suor não evapora eficientemente, falhando em resfriar o corpo.
Aumento da Frequência Cardíaca: Para auxiliar no resfriamento, o coração trabalha mais, o que pode causar taquicardia e estresse no sistema cardiovascular.
Quais são Principais Efeitos e Doenças Relacionadas?
Desidratação: Perda excessiva de água e sais minerais, gerando sede intensa, boca seca, urina concentrada (escura) e fraqueza.
Insolação (Golpe de Calor): Ocorre quando a temperatura interna ultrapassa 40°C. É uma emergência médica caracterizada por pele quente e seca (o suor para), confusão mental, convulsões e risco de morte.
Exaustão pelo Calor: Menos grave que a insolação, mas séria. Sintomas incluem náuseas, vômitos, tontura, dor de cabeça, cansaço extremo e sudorese intensa.
Cãibras de Calor: Espasmos musculares dolorosos decorrentes da perda de eletrólitos pelo suor.
Problemas Cardiovasculares e Renais: O aumento do trabalho cardíaco pode aumentar o risco de infarto e AVC (derrame). A desidratação crônica em dias quentes prejudica a função renal e facilita cálculos renais.
Problemas na Pele: Erupções cutâneas e bolhas podem aparecer.
Sintomas Cognitivos: Calor intenso pode causar tonturas, confusão mental, dificuldade de concentração e irritabilidade.
Quais são os principais Grupos de Risco e a Prevenção?
Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas (como diabetes e hipertensão) são mais vulneráveis.
Medidas e estratégias de prevenção. Recomendações:
Eliminar e/ou neutralizar a fonte geradora do perigo (Calor).
- Tudo em um só lugar: “O que é SST e como ela impacta a segurança, a produtividade e a conformidade da empresa”
Controle na fonte ou na trajetória do agente calor: Bloqueios, barreiras, isolamento, segregação, sistema de ventilação local exaustora / ventilação geral diluidora, automação com distanciamento das pessoas da fonte geradora.
Hidratação: Beber água antes de sentir sede.
Ambiente: Se possível dar preferência a locais frescos, com temperaturas mais amena com sombra ou ar condicionado.
Atividades: Evitar qualquer atividade mais pesada, com taxa metabólica superior a 414 Wats ou também exercícios físicos entre 10h e 16h.
Roupas: Usar roupas leves e claras, preferencialmente de algodão para dissipação do calor e troca térmica adequada
Em casos de sintomas graves, como confusão mental ou desmaio, deve-se procurar ajuda médica imediatamente.
O Anexo 3 NR 9 estabelece, entre outras obrigações, que o empregador deve monitorar a exposição a diferentes situações térmicas , incluindo o planejamento, ações educativas de esclarecimento (Sintomatologia, profilaxia, medidas de emergências, e manter todos os expostos preparados e estruturados para ações de emergências.
Sua Organização entende e atende pelo menos o mínimo dos requisitos pertinentes a exposição ocupacional a este agente nocivo?
Pense nisso!

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.


