Aprendizado Profissional: da teoria à experiência e vivência

Segundo Paulo Leal, no artigo “O Aprendizado, a Experiência e a Vivência”, o desenvolvimento profissional acontece muito além do primeiro contato com o conhecimento. Compreensão, retenção, prática, disseminação e criação fazem parte de um processo que se fortalece ao longo do tempo.
A teoria ganha valor quando encontra a experiência prática, os erros, os acertos e a capacidade de resolver problemas. Já a vivência amplia esse aprendizado por meio das relações, da cultura organizacional e dos desafios da rotina. Crescer profissionalmente exige humildade para continuar aprendendo, maturidade e disposição para transformar experiências em conhecimento.

O Aprendizado, a Experiência e a Vivência

Por: Paulo Leal

O processo de aprendizado ocorre em etapas que vão desde o primeiro contato com uma nova informação até o domínio total do assunto, sendo esta, a primeira etapa do processo que ao longo do tempo ao iniciar sua experiência em trabalho e consequentemente a vivência ao longo deste tempo.

Para um melhor entendimento de cada etapa, iniciemos pelo aprendizado, considerando 5 etapas:

  1. COMPREENSÃO: É o momento inicial de absorção, quando a informação é apresentada pela primeira vez por meio de aulas, leituras individuais ou em grupos ou vídeos relacionados ao tema.
  2. RETENÇÃO: A fixação e memorização do conteúdo, facilitada por resumos, mapas mentais ou anotações, considerando que a participação do profissional é fundamental no que tange ao “querer”, ou seja, o envolvimento é fundamental neste processo.
  3. PRÁTICA: A aplicação da teoria e principalmente a prática em cenários reais relacionados ao tema será onde o conhecimento começa a se consolidar por meio da ação e do erro devendo ser considerado que errar faz parte do processo de aprendizado, visto que este erro irá demonstrar falhas que devem ser corrigidas, mas também o aprendizado trará o outro lado do processo onde o acerto aponta o caminho assertivo, sendo então o catalizador de insight (ou insights, no plural) que significa a compreensão súbita e profunda de uma situação ou problema.
  4. DISSEMINAÇÃO: Neste processo, o ato de ensinar ou compartilhar o conhecimento com outras pessoas força o cérebro a organizar e reestruturar a informação de forma mais clara e assertiva, sendo este processo num novo nível que o profissional atinge com o tempo.

Analisar padrões cruzando dados e observando comportamentos em vez de apenas ler números; saber pausar considerando momentos de descanso ou reflexão em silêncio que iram ajudar o cérebro a conectar ideias inconscientemente; mudar a perspectiva com novas experiências e desafiando suas crenças e aumentando a criatividade.

Desenvolver à capacidade de ter clareza sobre suas próprias emoções, comportamentos ou traumas (autoconhecimento), buscando assim o famoso momento de “sacada” ou “epifania” — quando ideias desconexas se juntam para revelar uma nova perspectiva, solução ou verdade sobre algo.

  1. CRIAÇÃO: O pico do processo, onde há autonomia suficiente para gerar novas ideias, resolver novos problemas e adaptar o que foi aprendido associando todo o aprendizado, a experiência e vivência adquirida proporcionando assim um processo contínuo e estimulante ao profissional que irá assim se transformar em um crescimento contínuo.

Mesmo com que foi apresentado, devemos nos voltar a experiência, principalmente como hoje o profissional a conhece e entende.

Ter experiência significa ter vivido situações práticas que geraram conhecimento, habilidades e sabedoria ao longo do tempo, não se tratando apenas de acumular anos em uma função, mas do que foi aprendido e conseguido ser aplicado no dia a dia entre erros e acertos.

Para um melhor entendimento, o que realmente existem condições que definem ter experiência:

  1. VIVÊNCIA PRÁTICA: É o oposto do conhecimento apenas teórico, é ter literalmente a experiência de “mão na massa” em determinadas atividades físicas/teóricas seja na elaboração de documentações, avaliações qualitativas ou quantitativas, processos envolvendo a “expertise” sobre algum tema; habilidades na escrita como também na fala, o que envolve também cometer erros e aprender a corrigi-los sem constrangimento, mas com a convicção de mais um avanço profissional, então, seja ensinável, pois você não sabe de tudo e nem sempre está certo, pois “o momento assustador é sempre antes de você começar” (Stephen King).
  2. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS: É a capacidade de anteceder falhas, agindo de forma preventiva antes que elas aconteçam de forma técnica e objetiva tendo a habilidade e agilidade para encontrar soluções baseadas em situações já vivenciadas ou ter a tranquilidade com as novas, bem como saber como agir sob pressão ou em momentos de crise e entendendo que às vezes os passos mais firmes são dados com as pernas tremendo, pois “quem não sabe o que busca, não entendo o que encontra” (Claude Bernard).
  3. MATURIDADE EMOCIONAL: É entender o comportamento das pessoas ao seu redor, tendo a resiliência para lidar com frustrações e mudanças; saber aprender está descrito de forma bem simples em uma frase de Leonardo da Vinci “aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”, saber ouvir e ter uma comunicação com ideias claras e objetivas.
  4. VISÃO AMPLA: É saber enxergar além da sua atividade como profissional, compreendendo o impacto das suas ações abrangendo soluções de forma definir decisões mais seguras e assertivas considerando que já reparou que o GPS nunca diz “você errou o caminho”, ele diz “recalculando a rota”, daí está a oportunidade de estar sempre abrindo novos horizontes.

Assim chegamos na vivência que é a bagagem prática acumulada no ambiente de trabalho. Ela vai além do currículo, representando assim o modo como profissional adquiriu e aplica seus conhecimentos teóricos na rotina diária de uma empresa e no tratamento com os demais profissionais, independente da sua hierarquia.

A vivência profissional é tudo aquilo que o profissional foi adquirindo ao longo dos anos no seu processo de trabalho considerando a sua busca pelo conhecimento e as experiências vivenciadas através dos “acertos” e dos “erros”, onde não se tata de um processo rápido, mas sim de tempo, resiliência, persistência, vontade e principalmente no entendimento que não sabemos tudo.

Temos aqui o que compõe a vivência profissional:

  1. CULTURA ORGANIZACIONAL: Adaptação a diferentes regras e ambientes de empresas; o entendimento da hierarquia e do funcionamento do seu dia a dia através da convivência com dinâmicas formais e informais de trabalho.
  2. RELAÇÕES INTERPESSOAIS: Trabalhe em equipe com pessoas de perfis diferentes, esta diversidade irá enriquecer sobe diversos aspectos pessoais e profissionais. Aprenda a fazer mediação de conflitos comuns no dia a dia, construindo um processo mais seguro e humano quanto a saber demonstrar a importância de cada profissional, independentemente de sua formação e cargo. Construa uma rede de contatos profissionais (networking) abrindo espaço para novas oportunidades, experiências e conhecimentos.
  3. ROTINA E PROCESSOS: Cumprir prazos, metas e horários estabelecidos, executando tarefas específicas da sua área de atuação com o domínio de ferramentas, sistemas e metodologias do setor; e principalmente com a sua “expertise” e a humildade em aprender mais.
  4. APRENDIZADO COM ERROS: Estar preparado para enfrentar as falhas em projetos reais, absorver críticas construtivas de chefes e colegas e ajustar sua rotina evitando novas falhas. O aprendizado deve ser constante onde deve entender que no início e sempre “comece onde você está; use o que você tem e faça o que você pode” (Artur Ashe).

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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