ANÁLISE E AVALIAÇÃO DE RISCOS: ENTENDA SUA IMPORTÂNCIA DENTRO DO GERENCIAMENTO DE RISCOS OCUPACIONAIS

Em nossa gestão de SST (Segurança e Saúde do Trabalho) sempre nos deparamos com estes dois termos: Análise de Riscos e Avaliação de Riscos.

Mas qual a definição, aplicação e relação com o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)?

Vamos primeiramente às definições:

✅ Análise de Risco: é o processo destinado a compreender a natureza do risco. É entender em que momento, equipamento ou atividade ele se origina. É pensar em risco de “que” e para “quem”?

✅ Avaliação do Risco: é o processo de comparação dos resultados da análise do risco com os critérios do risco para determinar sua magnitude (classificação): Ex.: desprezível, aceitável ou tolerável.

Segundo o item 1.5.3.2 da referida norma, cabe à organização avaliar os riscos ocupacionais indicando o nível de risco.

Além disso, o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos ocupacionais deve considerar o disposto nas Normas Regulamentadoras e demais exigências legais de segurança e saúde no trabalho.

Ou seja, neste processo de avaliação, deve-se identificar quais são os critérios definidos nas normas regulamentadoras aplicáveis ao risco que está sendo avaliado.

Exemplo: Se estamos avaliando um risco de queda de um trabalhador, vamos precisar verificar o que diz a NR35 e também outras normas relacionadas.

Pois, se o trabalho em altura tiver origem em um trabalho que envolva o uso de andaime, teremos que observar também o que será exigido em termos de NR18 (Construção Civil).

Após este estudo, poderemos verificar que medidas de controle já foram implementadas para a redução da severidade e/ou probabilidade.

Porém, a norma dá um destaque maior ao processo de avaliação de riscos ocupacionais no item 1.5.4.4.1 que traz o seguinte texto: “A organização deve avaliar os riscos ocupacionais relativos aos perigos identificados em seu(s) estabelecimento(s), de forma a manter informações para adoção de medidas de prevenção.”

Para cada risco deve ser indicado o nível de risco ocupacional, determinado pela combinação da severidade das possíveis lesões ou agravos à saúde com a probabilidade ou chance de sua ocorrência.

O processo de avaliação de riscos é a parte do sistema de gerenciamentos de riscos que fornece um processo estruturado para identificar como os objetivos estabelecidos pela organização podem ser afetados, e assim decidir se uma medida de controle ou de resposta ao risco precisa ser implementada.

Este processo segundo o ISO 31010 (Gestão de riscos – Técnicas para o processo de avaliação de riscos) precisa responder às seguintes questões fundamentais:

👉 o que pode acontecer e por que (pela identificação de riscos)?

👉 quais são as consequências?

👉 qual é a probabilidade de sua ocorrência futura?

👉 existem fatores que mitigam a consequência do risco ou que reduzam a probabilidade do risco?

👉 o nível de risco é tolerável ou aceitável e requer tratamento adicional?

A NR01 não define qual ferramenta a organização deve utilizar neste processo de avaliação de risco, ficando a cargo de cada organização selecionar as ferramentas e técnicas de avaliação de riscos, de maneira que sejam adequadas ao risco ou circunstância em avaliação.

O mesmo acontece na ISO 45001 (Sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional ― requisitos com orientação para uso).

6.1.2.2 Avaliação dos riscos de SSO e outros riscos para o sistema de gestão de SSO

A organização deve estabelecer, implementar e manter um processo(s) para:

  1. a) avaliar os riscos de SSO relativos aos perigos identificados, levando em consideração a eficácia dos controles existentes;
  2. b) determinar e avaliar os outros riscos relacionados ao estabelecimento, implementação, operação e manutenção do sistema de gestão de SSO.

A metodologia e os critérios da organização para a avaliação dos riscos de SSO devem ser estabelecidos em relação ao seu escopo, natureza e cronograma, para assegurar que eles sejam proativos ao invés de reativos e sejam utilizados de forma sistemática. Informação documentada deve ser mantida e retida.

Neste ponto entendo que a norma foi bem assertiva em não propor uma ferramenta/metodologia. Assim, cada organização tem a liberdade de definir o que melhor se aplica a cada risco, atividade e/ou setor. Ferramentas como: HAZOP, Matriz de MArkov e outras podem ser aplicadas.

Após a avaliação, os riscos ocupacionais devem ser classificados, para fins de identificar a necessidade de adoção de medidas de prevenção e elaboração do plano de ação.

Os riscos de categoria mais elevada, devem ter ações implementadas com prioridade, quando  comparado com riscos de categoria menor.

Pense que ao final deste processo na função de auxiliar de produção você avaliou e classificou um  risco mecânico (Prensamento)  como ALTO, um risco físico como MÉDIO(ruído) e um ergonômico como BAIXO(esforço).

O primeiro risco a ser tratado deve ser o risco ALTO. Se a organização tiver recursos para tratar todos os riscos de  imediato, isso deve ser feito. Porém, isso geralmente não é a realidade na maioria do tempo.

Este processo de a avaliação de riscos deve constituir um processo contínuo e ser revista a cada dois anos conforme previsto na NR 01, ou quando da ocorrência das seguintes situações:

  • Após implementação das medidas de prevenção, para avaliação de riscos residuais;
  • Isso ocorre pois é necessário avaliar como a medida de controle já implementada atuou sobre a probabilidade e/ou severidade do risco. Após essa avaliação será possível afirmar se o risco foi reduzido ou não e se poderá receber uma nova classificação.
  • Após inovações e modificações nas tecnologias, ambientes, processos, condições, procedimentos e organização do trabalho que impliquem em novos riscos ou  modifiquem os riscos existentes;

Se estamos introduzindo uma nova fonte de risco(perigo) ou alterando algo existente, temos a possibilidade de estar trazendo para o ambiente de trabalho, novos riscos que podem ser fatores geradores de lesões e doenças ocupacionais. Por isso, se faz necessário essa nova avaliação.

  1. Organização não possui empilhadeira e faz a aquisição de um equipamento para 2 toneladas. Logo, estaremos levando para o ambiente de trabalho, riscos como: vibração, ruído, atropelamento e outros.
  • Quando identificadas inadequações, insuficiências ou ineficácias das medidas de prevenção;

Sempre que implementar uma medida de controle para atuar sobre um determinado risco é necessário avaliar sua eficácia em resposta à esta incerteza. Caso não seja eficaz, uma nova ação de resposta deve ser gerada.

  • d) na ocorrência de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.

Se ocorreu um acidente ou uma doença do trabalho em nossa organização é certamente uma indicação de ,que temos falhas em nosso processo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e uma possível revisão no Programa de Gerenciamento de Risco é esperada. Pois, se o objetivo do PGR/GRO é promover a saúde e segurança do trabalhador, um acidente ocorrido é indicação que não estamos alcançando nosso objetivo.

Para finalizar este  processo de avaliação de riscos vamos precisar observar o item 1.5.7.3.2 que traz em seu  texto a obrigatoriedade de constar no  Inventário de Riscos Ocupacionais a avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do plano de ação. Logo, todo processo de avaliação de risco deve ser representado no Inventário de Riscos do Programa de Gerenciamento de Riscos- PGR.

O sucesso de um Gerenciamento de Risco Ocupacionais dependerá diretamente do processo de avaliação de risco, pois um dos seus objetivos é  fornecer informações aos tomadores de decisão.


Wesley Silva
Engº de Produção e de Segurança do Trabalho;
Especializado em Ergonomia e Direito Trabalhista e Previdenciário;
Diretor técnico da Innove Consultoria e Treinamentos;
Instrutor e palestrante em diversos cursos;
Consultor em Segurança do Trabalho, especialista em Gestão de SST;
Atuante no ramo de Mineração, Telecomunicações e Alimentício.
@inovetreinamento |innove.treinamentos@hotmail.com

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

Categoria

Últimas Postagens

Siga a RSData

Inscreva-se em nossa Newsletter:

Pular para o conteúdo