A NORMOSE DO ESTRESSE

O estresse continua assombrando a vida dos brasileiros. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo: 9,3% da população. Já foi dado sinal de alerta sobre a saúde mental dos brasileiros, já que uma em cada quatro pessoas no país sofrerá com algum transtorno mental ao longo da vida. Atualmente, o estresse acomete cerca de 90% dos brasileiros e as profissões estatisticamente mais atingidas são Policiais; Agentes penitenciários; Bombeiros; Pessoas com dupla ou tripla jornada.
Temos ainda a síndrome de Burnout que, desde janeiro de 2022 já era dada como uma doença do trabalho em decorrência de um estresse mal administrado. Sabe-se que as pessoas mais apaixonadas pelo seu trabalho são as mais acometidas da síndrome de burnout, devido a dificuldades em estabelecer limites para si mesma e acreditando ser realizador trabalhar ao máximo e qualificar sua entrega ao nível da excelência. Estes quadros já atingem mais de 30%
dos brasileiros ativos.
Byung-ChulHan, em sua obra: Sociedade do Cansaço, aponta para os motivos que levam tantas pessoas ao esgotamento mental, discorrendo um breve ensaio sobre os efeitos provocados na mente das pessoas pelas mudanças sociais, culturais e econômicas deste século. Nesta publicação, a Sociedade do Cansaço surge como consequência da Sociedade do Desempenho. Uma sociedade que se demonstra cansada de tantas tarefas, tanta hiper conectividade e tanta
necessidade de performar bem.
Mantendo esta cultura, temos o mais sério agravante – a normose do estresse, onde este é aceito como parte da vida moderna, e portanto, normal e aceito. E nesta medida, nada é feito para superar uma vida de desgastes e esgotamentos, visto que é parte da rotina, do estilo de vida e comum a todos os profissionais bem-sucedidos e com desejo de realização.
Outros paradigmas surgem em paralelo: o estresse é o preço que se paga para atender as ambições de uma vida melhor, de uma carreira ascendente e por tanto, da admiração dos demais. Trabalhar na madrugada, nos finais de semana e deixar o telefone ligado nas férias para atender a empresa já parece também ter se tornado uma prática comum. Sair depois do horário, fazer horas extras e atender ao chefe a qualquer hora da noite faz parte do perfil do
trabalhador admirado e aplaudido pelas empresas. Mas qual o preço disso? Pesquisa aponta que 37% das pessoas estão com estresse extremamente severo, enquanto 59% se encontram em estado máximo de depressão e a ansiedade atinge níveis mais altos, chegando a 63%, segundo a Vittude.
Diante dos fatores estressores é interessante observar aqueles que podemos evitar e aqueles aos quais precisamos desenvolver estratégias de enfrentamento e novos hábitos através de práticas de autocuidado. Podemos estabelecer limites para o ritmo de trabalho, a sobrecarga, as horas extras, evitar relacionamentos tóxicos e não permitir abusos. No entanto, crises econômicas, desemprego, mudanças de rumos em nosso país, pandemia e falta de segurança publica são fatores que exigem resiliência, adaptabilidade e escolhas que tornem seus efeitos menos danosos.
Tabus que impedem e limitam uma maior atenção à saúde mental somado a ausência de políticas públicas e iniciativas ainda insuficientes por parte das empresas levam um descaso nos cuidados necessários e que se fazem a cada dia mais urgentes. É comum escutar as pessoas comentarem com um sorriso de satisfação que vive na “correria”, como se isso fosse imposto a ela e sem que pudesse ter chance de escolha. Pois esta é a grande questão – podemos e devemos escolher sim!!!

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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