A Segurança do Trabalho e seu Reflexo no Ambiente do Canteiro de Obras

A Segurança do Trabalho e seu Reflexo no Ambiente do Canteiro de Obras

A segurança no canteiro de obras é um fator crítico para garantir o bem-estar dos trabalhadores e a eficiência na construção civil. Neste artigo, Sérgio Ussan explora os desafios diários enfrentados pelas equipes de segurança do trabalho, destacando a importância de ambientes saudáveis e integrados. Com foco nos riscos e na atuação dos Técnicos de Segurança, o autor propõe reflexões sobre a interação entre proteção e produtividade. Será que a segurança no canteiro está sendo aplicada de maneira eficaz?

Acompanhe a coluna de Ussan:

A Importância da Relação Prevencionista/ Trabalhador

A Recepção do Trabalhador na Construção Cívil

Importância da Segurança na Construção Civil

A Importancia Do Treinamento Na Construção Civil

A Segurança do Trabalho e seu Reflexo no Ambiente do Canteiro de Obras

Antes de abordar diretamente o tema, título deste artigo, cabe alertar o leitor. Quem conhece os meandros de um canteiro de obras poderá achar a abordagem óbvia, mas será assim tão óbvia, ou apresentará situações esquecidas que deveriam estar no dia a dia do canteiro? Quem não possui intimidade com acontecimentos comuns em um canteiro de obras terá a oportunidade de tangenciar situações simples (ou mesmo óbvias) que deveriam sempre merecer a atenção das equipes de comando e da segurança do trabalho da obra.

O canteiro de obras é um local onde, diariamente, dezenas, às vezes centenas, de trabalhadores passam ali oito ou dez horas de seu dia, integrando inúmeras equipes de diferentes atividades profissionais, com origens e formações pessoais diferenciadas e idades que normalmente estão entre dezoito e sessenta anos ou mais.

Dizer que um canteiro de obras é um mundo com características próprias não é um despropósito. Cabe perguntar ao leitor: já pensou no micro-universo que é um canteiro de obras? Se não pensou, recomendo parar em local privilegiado e observar o que ali acontece desde a chegada dos trabalhadores ao local e posterior movimentação dos mesmos, passando a sensação de um formigueiro em constante movimento no interior e exterior de um “objeto” que ocupará um local anteriormente vazio. Verá um local pulsando continuamente com inúmeras atividades ligadas entre si, visando à criação de algo antes inexistente. Será que estou divagando ou focando algo não pensado pelo leitor, principalmente a quem é dirigido este artigo, os Prevencionistas com atividades na Segurança, Saúde e Meio Ambiente do trabalho em obras de Construção Civil?

Agora deve surgir a pergunta: qual a ligação do que foi discorrido acima com segurança do trabalho? Vamos, então, analisar vários pontos de forma individual e, ao final, uni-los ao título em epígrafe. Canteiro de obra é local de convivência (coexistência, relacionamento, vida em comunidade) desde a portaria de entrada até a saída dos trabalhadores, passando pelo vestiário, refeitório, locais de trabalho e momentos de diversos tipos de diálogos no entrelaçamento das atividades inerentes a uma obra. Diversas equipes atuam na obra, variando no espaço e no tempo durante a construção, pois cada uma delas tem seu período delimitado pelo cronograma executivo do empreendimento.

Exemplificando, algumas equipes têm período determinado para sua atuação na obra, sendo responsáveis por: montagem do canteiro, fundação, elevação da estrutura, acabamento interno, acabamento externo, paisagismo. Imaginem as funções necessárias para essas atividades, aqui citadas em parte: ajudantes, carpinteiros, ferreiros, pedreiros dos mais variados, azulejistas, eletricistas, instaladores hidráulicos, operadores de máquinas estacionárias e móveis, montadores de andaimes, e muitas, muitas outras atividades e funções.

Todos os trabalhadores estão expostos a vários perigos e riscos previamente determinados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), situação que diferencia a indústria da construção civil das indústrias estabelecidas. Na construção civil, o trabalhador se desloca constantemente pelo objeto em montagem; nas indústrias estabelecidas, o trabalhador permanece parado enquanto o objeto fabricado passa por ele. Enfatizo: o deslocamento constante leva o trabalhador a exposições contínuas a riscos diferentes, o que aumenta a importância da presença atuante da equipe responsável pela proteção dos trabalhadores. Como imaginar um ambiente de convivência saudável diante das situações citadas, com o trabalhador protegido por meio do cumprimento correto das normas de segurança?

É certo que, se não houver um ambiente saudável no canteiro, com a participação dos trabalhadores, não haverá tranquilidade para a equipe de produção desenvolver o projetado e previsto. Imaginem o caos (exagero?) que seria a obra, se os responsáveis pela produção não contassem com um ambiente saudável, de convivência normal, com interligação entre as equipes de comando, mestres, trabalhadores em geral e as diversas empresas terceirizadas que atuam em uma obra.

Aqui começamos a abordar o que foi dito acima. Quem pode propiciar condições que unam os entes mencionados e tornem o canteiro de obra voltado para ações corretas, direcionadas à construção do empreendimento? O leitor já deve ter pensado na resposta: a Segurança do Trabalho. E também pensou: como? Gostaria de ver. Vamos, então, desenvolver situações que comprovem essa afirmação.

A base é a ligação dos trabalhadores com a obra, com eles tendo prazer de ali trabalhar, recebendo condições dignas nos locais de trabalho e áreas de vivência, e podendo opinar sobre as condições de segurança que lhes são oferecidas. Em artigo anterior, citei a forma de alcançar essas situações e agora relembro parte dos conceitos que as garantem.

A equipe de segurança do trabalho, composta por Engenheiro de Segurança, mas com maior ênfase e importância no processo, pelos Técnicos de Segurança do Trabalho (TSTs) — pois são estes que estão em contato direto e contínuo com os trabalhadores — pode criar e desenvolver o ambiente ideal, ou quase ideal, de tranquilidade e responsabilidade no canteiro de obras.

Desenvolvendo o raciocínio: são os TSTs que devem receber a documentação correta dos trabalhadores, permitindo que eles ingressem no canteiro. O TST receberá o trabalhador e ministrará a Palestra de Integração que, como o nome indica, o integrará no ambiente físico da obra, nas condições e normas de segurança e na presença da equipe de segurança do trabalho, que cuidará de sua proteção. Para dar continuidade à busca de uma boa relação entre trabalhadores e TSTs, estes devem possuir conhecimento e empatia com aqueles que desenvolvem as atividades na obra.

No momento em que o trabalhador entender que a equipe de segurança não está ali presente para puni-lo, mas sim para protegê-lo, nascerá entre ambos uma parceria profissional e pessoal que, bem administrada, evitará situações de confronto, que muitas vezes são, erroneamente, encaradas como “normais”. Recomendo ao leitor a busca do artigo anterior, onde constam situações a serem seguidas, que resultarão na parceria mencionada.

Reuniões de segurança (Diálogos de Segurança) aproximarão as equipes; áreas de vivência corretas proporcionarão momentos de diálogos e parcerias entre os trabalhadores. O bom relacionamento da equipe de segurança com os trabalhadores levará ao respeito mútuo e à participação de todos no trato com as condições de segurança, saúde e meio ambiente do trabalho, que devem ser continuamente desenvolvidas no canteiro.

Leia também: O Fim do PCMAT e a Adoção do PGR na NR 18

Posso, agora, com base em experiência própria, garantir que os princípios de segurança do trabalho, corretamente aplicados e desenvolvidos em uma obra, propiciam um ambiente que levará ao sucesso da fase construtiva e à satisfação de toda a equipe de produção. Repetindo, Segurança do Trabalho, Saúde e Meio Ambiente, quando corretamente aplicados em uma obra, refletirão de forma clara no andamento do processo construtivo. Quem duvidar deve desenvolver os princípios acima e, garanto, mudará de ideia.
Como sempre, o contraditório será bem-vindo.

Sérgio Ussan

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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